28 de nov. de 2009

Indicação - A menina que roubava Livros (Markus Zusak)

Indicação

002 – A menina que roubava Livros (Markus Zusak)

A Menina que Roubava Livros (The Book Thief, no original) é um romance do escritor australiano Markus Zusak, publicado em 2006. No Brasil, ele foi lançado em Março de 2007 pela editora Intrínseca, e foi traduzido por Vera Ribeiro. Sendo narrada pela Morte, o livro conta a história de Liesel Meminger, uma garota que se encontrou com a narradora diversas vezes ao longo de sua vida e foi observada pela curiosa colhedora de almas. Vivendo na Alemanha nazista, Liesel enfrenta vários desafios dentre se conformar com a súbita mudança em sua família, se controlar perante Rudy Steiner e saber guardar um segredo (Fonte: Wikipedia).

Muitos livros trazem como tema a Segunda Guerra Mundial mas não como esse. A menina que roubava livros traz essa triste história contada por outros olhos.O da Morte.
A idéia que inicialmente pode ser macabra com o avançar da história essa narradora em comum se torna cativante e admirável. A visão da Morte é totalmente desconstruida e reinventada.
Simples e com personagens constistentes que tem sua vida interligadas mas cada um com sua própria história, com suas próprias lutas.O horror da Guerra por um ponto de visão diferente mas ainda sim com todo seu horror e significado. Leiam.

24 de nov. de 2009

Dia 05/12

Salve familia!

Hoje estaremos (Vanguarda & Escrita Hip Hop) divulgando um vídeo inédito que contém o ensaio de uma música do grupo PRIMEIRO ATO.
Conseguimos este vídeo diretamente dos ensaios do grupo, devido a isso, a qualidade do audio, não esta 100%.
Para quem ainda não sabe, o grupo PRIMEIRO ATO estará fazendo o lançamento de seu CD Licença Pra
Chegar no dia 05/12, e terá participações de Facção Central, Inquerito, A286, Sandrão e muito mais.

Vejam o vídeo, e vamos esperar mais essa pedrada do rap nacional ficar pronta, e quem sabe, curti-la no show do dia 05/12.



Referente ao som, é como diz o Criolo Doido

"Então me fala, pergunta que não cala
Se o Rap é pro bem, então por que tanta gente atrapalha
?"

Aí está o resultado de quem não acreditou nesse grupo. Dia 05/12 um Show especial com participações de grupos importantes do RAP NACIONAL, parabéns Primeiro Ato.A Vanguarda estará presente no show, fortalecendo sempre.

22 de nov. de 2009

Protesto, Cultura, Amor, Compromisso...

Enfim...Os adjetivos são muitos.

Salve familia!

RAPadura lançou o mais novo som de trabalho que estará na Fita embolada do engenho (Mês que vem estará nas ruas), Maracatu de Cá pra lá. Para quem gosta de Rap realmente diferenciado, vão ouvir um dos melhores.
Muitos acham que o protesto que tem que conter em letras de rap sejam apenas referente a crime, drogas e etc, mas o RAPadura vem mostrando realmente uma outra forma de protesto. Um protesto para com pessoas que não respeitam a cultura nordestina..É interessante por que muitos do próprio Rap acusam o sistema por muita coisa que nos acontece, mas eu queria saber...Você ter preconceito, é culpa de quem?
Agora vocês vão ouvir um som realmente pra se sentir, e mostrar que ainda tem gente que faz Rap com amor, compromisso e que leva cultura para os ouvintes/seguidores.

Maracatu de cá pra lá, CLIQUE AQUI


"Só não fale mal da minha terra, que aí eu não deixo..." RAPadura


21 de nov. de 2009

5º Elemento Hip Hop & Skate


Salve familia!

Hoje vamos fazer a divulgação de uma loja de Hip Hop que está sendo construída em Santa Catarina por um membro da Vanguarda, Luana Minatti. A loja 5º Elemento terá a sua inauguração no dia 12/12, e para quem fizer parte da região compareça, por que vai ser uma festa a altura dessa loja, de qualidade. Dj's e Mc's locais farão parte dessa bela inauguração. Então, fiquem ligados quem for dessa região, dia 12/12 é a inauguração de uma loja diferenciada, 5º ELEMENTO HIP HOP & SKATE.

Endereço: Itapema - SC
Rua: 280 Sala 05


Algumas fotos de como está ficando a loja











19 de nov. de 2009

Nego Dé no QG da Revolução Só Balanço

Nego Dé, um dos rappers mais conceituados da cena no DF agora é mais um legítimo representante do QG da Revolução Só Balanço.

Nego Dé

QG da Revolução Só Balanço que o rapper GOG define como uma família composta por vários músicos, produtores e agitadores culturais.

Nego Dé vai lançar uma mixtape agora em dezembro e já está em estúdio gravando seu primeiro álbum solo com previsão de lançamento para o outono de 2010.

Desde o início da década de 90 é envolvido com a cultura Hip Hop, atuando com MC, palestrante e educador social. Sempre se destacou na cena pela sua performance e inflamados discursos durante suas apresentações.

O ex-líder do extinto grupo Falso Sistema, também fez parte do coletivo M.A.F.I.A. (Malucos Aliados Fudidamente Irritados com Alienação) e foi intérprete no grupo Aentidade.

Nego Dé contribuiu ativamente para a formação da identidade do Hip Hop no DF. Seu estilo próprio de compor e rimar, aliados a sua postura artística o faz ser considerado um dos maiores representantes da cultura Hip Hop no Centro-Oeste.

A convite do rapper GOG, participou de seu 1º DVD, Cartão Postal Bomba, lançado recentemente, apresentando-se ao lado de grandes nomes da música brasileira como Maria Rita, Lenine e Gérson King Combo.

Desenvolve trabalhos e projetos sociais voltados para jovens em situação de vulnerabilidade social através da Ong ACESSO. Sua equipe de correria é composta pelo rapper Granada e o DJ RCD.

Enquanto a MixTape não vem, baixem a música Astro do Gueto, com participação e produção do rapper Duck Jay.

Clique AQUI para fazer o download

18 de nov. de 2009

Entre a Luz e a Sombra

Estreia dia 27/11, em cinemas de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

Dirigido por Luciana Burlamaqui, o documentário investiga a violência e a natureza humana a partir da história de três personagens que tiveram seus destinos cruzados no complexo Carandiru, considerado até então o maior presídio da América Latina. Uma atriz que dedica sua vida para humanizar o sistema carcerário. A dupla de rap 509-E, formada por Dexter e Afro-X dentro do Carandiru. Um juiz que acredita em um meio de ressocialização mais digno para os encarcerados. Entre a Luz e a Sombra acompanha a vida desses personagens durante sete anos, a partir do ano 2000. As temáticas da prisão, crime, violência, reintegração social extrapolam para o encontro de classes sociais distintas e as mais difusas contradições do ser humano na busca de seus ideais.


16 de nov. de 2009

2 em 1 - Indicações e Curta Metragem

Para compensar semana passada que não apareci por aqui..Perdón.Foi devido a alguns contratempos.
Vou fazer duas postagens em uma.E ha comentem por aqui também, sei que a gente comenta lá na comunidade..mas é triste blog sem comentários haha.
Bem para começar vou indicar umas coisinhas para vocês lerem dentro deste mundo diverso e maravilhoso que é o dos Blogs.

10 Indicações aqui

1. 20 filmes de terror que você DEVE assistir antes de morrer
2. Um texto que não propõe
3. 10 promoções que estão rolando na Net
4. Síndromo de Pica
5. Leiam - Texto do Blog Girassol Falante
6. A moça, A saia, A faculdade
7. Artista Autista precisou de apenas 20 min.
8. 8 médicos históricos absolutamente assustadores
9. Filmes Clássicos Online
10.Top 10 - Trilogias

Iniciei e Terminei falando de Filmes. Não é por acaso...
Vale a pena procurar e assistir. E tentem ler todos os links tem opinião, promoção, filme, noticia, pessoas...Variedade enfim.

Curta Metragem

Curta-metragem, ou simplesmente curta, é um filme de duração inferior a trinta minutos, havendo no entanto quem para o classificar estabeleça um padrão variável de mais ou menos dez minutos. O termo começou a ser utilizado nos Estados Unidos na década de 1910, quando boa parte dos filmes começava a ter durações cada vez maiores. O gênero que mais utilizou o formato de curta-metragem foram as animações. Ainda hoje há muitos filmes com acção ao vivo (live-action) e de animação produzidos como curta-metragem, havendo inclusive um premio dos Oscar para cada tipo. Formato bastante difundido e em expansão no Brasil desde os anos 70, a curta-metragem é também adotada em documentários, filmes de estudantes e filmes de pesquisa experimental. (Fonte)

Eu recomendo este > Quer saber o que é força de vontade, luta, criatividade e saber trabalhar com as circunstâncias? Veja o personagem principal da história. (Para assistir só clicar no título do curta)

10 Centavos

Ficção;2007;19 min;colorido.
Local de produção:Bahia

Um dia na vida de um garoto que mora no subúrbio ferroviário de Salvador e trabalha como guardador de carros no centro histórico.

Ele o primeiro mais cotado do Porta Curtas.
Além de ter muitos prêmios. Enfim Veja.

Obs:Porta Curtas é um Portal de exibição de curtas-metragem patrocinado pela Petrobrás. Possui um grande acervo de filmes, que podem ser assistidos. Inclui top 5 de mais vistos e mais cotados.É de uma organização excelente além de você pode se interar com os curtas seja votando, divulgando, comentando.Além da Ótima funcionalidade e um visual bacana. RECOMENDO. Explore, um portal de cultura disponivel e super útil.

11 de nov. de 2009

Vocês querem show né? ENTÃO TOMA!




Primeiramente faremos algumas ressalvas.
Hoje dia 11 de novembro a Vanguarda do RAP NACIONAL (VDRN) está fazendo 1 ano de existência, e nessa data tão importante, estamos dando esse presente pra vocês. Uma entrevista exclusiva com um dos Mc’s mais original do país, MC RAPadura. E mais, em primeira mão um som do mesmo que sairá na fita embolada (Versão original) e o mesmo nos concedeu para que possamos está aqui mostrando pra vocês nesta data tão importante pra VDRN. O som chama-se “norte nordeste me veste”, para quem preza por qualidade, inovação, flow, letra... Vai escutar um dos melhores sons do atual Rap Nacional. Lembrando que a versão original estará na fita embolada.
O som será praticamente um Hino para o povo nordestino, mas que conterá o respeito de todos. Um som realmente foda.

Para quem quiser baixar esse som, CLIQUE AQUI


ENTREVISTA:




VDRN: Em um trecho desse som você cita “tive que correr mais que vocês para alcançar minha vez”. Sabendo das tantas dificuldades que o nordeste sofre, nos diga como esta sendo superar o pouco desenvolvimento econômico e tecnológico da região, e fazer uma música de qualidade e inovadora?

RAPadura: Cabra, arrente já nasce abraçado a um cabo de uma enxada tendo ela como companheira pra tudo, é pouco tempo de colo e o resto da vida no solo, arrente aprende desde cedo que se chorar com a surra apanha mais ainda, isso acaba nos tornando mais duros e consistentes, mais rápidos e precisos pra não ter que apanhar da vida, e não ter que fazer todo o trabalho de novo. Numa região onde não se tem tanta tecnologia e não se tem uma economia de base forte o que fazemos é unir forças entre nós mesmos, nos organizamos e nos completamos nos espaços vagos. Se o que tenho são minhas mãos e minha enxada e eles tem tratores e cavalos, o que fazemos é nos organizar e unir nossas mãos e enxadas para que possamos arar o terreno em menos tempo possível, plantar boas sementes extraídas da própria terra e ter uma ótima colheita de cultura popular brasileira. Eles tem as máquinas e nós temos as mãos, eles tem os computadores e arrente a criatividade, eles tem os botões e nós temos as vozes e os violões. Por que temos que correr 3 ou 4 vezes mais que eles pra alcançar a mesma meta? Por que estamos nos interiores, nos sertões e eles já estão em cima da serra, na cidade. Mais isso agora vai mudar por que esse povo todo do interior cansou de ficar em baixo e vai tomar de vez esse lugar no topo que sempre foi seu por direito,oxeee.

VDRN: Muitos ainda não sabem o motivo do nome “rapadura”. Explique o por quê desse nome?

RAPadura: Quando me fazem essa pergunta eu costumo dizer que é por que “sou doce mais num sou mole” e ai caboco se dana na risada, risadas!
Esse nome “rapadura” veio quando eu jogava bola nos campinhos de terra com meus amigos,toda vez que eu chegava do campo pegava um pote de rapadura e sentava no meio fio pra comer e ai todo mundo que passava fica falando,esse ai gosta de rapadura visse? Nunca vi desse jeito.e meus amigos começaram a falar (e ai rapadura? Beleza Rapadura? Me zoando, srsrs.) E acabou ficando inté hj.

VDRN: A cana de açúcar é um dos principais produtos agrícolas do Brasil, reconhecida e de interesse internacional devido ser a principal matéria prima do etanol. E é no nordeste onde se concentra grande parte da produção da cana de açúcar, produzido principalmente por alagoas, seguido por Pernambuco e Paraíba. Diante de tanta produtividade, infelizmente o nordeste ainda é a região com maior nível de pobreza. Qual sua opinião sobre isso?

RAPadura: Mãos pobres sempre sustentaram calcanhares ricos!
Quando um país não investe na cultura do seu povo acaba arrancando suas raízes e braços orgânicos e implantando matrizes de traços mecânicos. Acaba por robotizar sentimentos, pensamentos e padronizando inté mesmo simples gestos. Ao invés de filhos tem escravos e ao invés de um povo tem empregados. A mão de obra barata é explorada inté hoje não só na produção de cana de açúcar, mais também nos cizais, usinas e fábricas de tijolos e telhas industriais. Crianças que poderiam estar estudando estão trabalhando e passando instantaneamente para a fase adulta prematura sem saber o que é infância. (O melhor do Brasil é o brasileiro) se isso fosse levado mesmo a sério não existiria tanta desigualdade neste país!
Um país que não investe na sua educação e nem na sua cultura é um país que se mata pouco a pouco, dia após dia.





VDRN: O nome "fita embolada do engenho" nada mais é do que seguir as suas raízes, sua cultura e usar um termo que é nosso, ao contrário da mixtape, que é americanizada. Você acha que o rap nacional está sem identidade, está se preocupando muito com o rap gringo e esquecendo suas raízes?

RAPadura: Na verdade cabra, vou te dizer uma coisa, pra mim rap nacional é um rap extraído das nossas terras, se você pega e faz que nem os cabra de fora isso num tem nada de nacional. Nacional é o forró, o baião, o samba, a catira, folia de reis, o mara-baixo, tudo isso é nacional. Se você pega uma batida de rap seca com elementos que não são daqui e canta algo em cima isso pra mim não é nacional, nacional é quando tem a identidade brasileira introduzida, quando tem as caractéristicas daqui, quando sai do nosso chão. Não entendo bem por que usam esse termo “mix tape” sendo que “mix tape” nada mais é que “fita misturada” o povo parece que tem preguiça de criar, inté mesmo nomes, ao invés de trazermos esse reinado colonizador para as nossas terras por que não investimos em algo nosso para que possamos expressar o nosso país com mais força em países estrangeiros? Por que ao invés de importarmos não exportamos? É mais fácil pegar algo pronto do que criar algo único, mais por outro lado vc será pra sempre a cópia de algo ou de alguém.

VDRN: Nesse som na qual estamos divulgando hoje, contém um alto teor de critica para com algumas coisas que acontece no rap e acontece com o preconceito perante o norte/nordeste. Você não tem algum receio que esse som possa ser mal interpretado por alguns e vire motivo de criticas para sua pessoa?

RAPadura: Cabra, quando você coloca seu pé no chão, você num coloca só o pé, você coloca todo o corpo, alma e espírito também, depois de anos de exclusão, boicote e esquecimento o mínimo que podem fazer agora é reconhecer o que está visível a muito tempo, que o norte nordeste é a raiz desta árvore, as grandes metrópoles só existem por que nossos pais, avós e antepassados foram lá para construir, foi através das nossas mãos, do nosso suor que toda essa fera de concreto se ergueu, e hoje tenta nos engolir. Acredito que o rap serve pra expressar o que sentimos, o que queremos protestar, se não servir pra isso, acho que de nada serve. Todo mundo fica com medo de falar isso ou aquilo de cidades grandes, por que se apegam a ela como forma de conseguir alguma coisa, de se dar bem e de se aproximar de algum tipo de fama e sucesso, mais se eu não puder ser como eu sou e penso, eu não poderei ser nada, quem for maduro e inteligente vai entender o que quero dizer com isso, quem for imaturo infelizmente pode ser que encare de uma outra forma e eu tenho que respeitar a opiniões e diferentes pontos de vista, por que só com conflitos ideológicos que arrente cresce. Mais antes de entrarmos num debate, pensem nos anos que passamos as margens e subterrados, pensem no quanto fizeram mal a cultura, pensem que depois de anos surge alguém, e esse alguém está fora dos eixos, com coragem e argumento pra falar o que sente e o que pensa sobre todo esse monopólio, e que me aceitem como eu realmente sou, por que o Brasil é muito grande pra ficar preso somente as duas torres gêmeas.


VDRN: Como você se sente sabendo que a “fita embolada do engenho” vai ser o seu primeiro trabalho, e antes dele ser lançado...você já é tido por muitos como um dos mc’s que tem o melhor flow do país? E ainda ser apontado como um dos melhores mc’s?

RAPadura: Eu me sinto com mais responsabilidade ainda, por que se isso acontece agora quer dizer que depois disso na rua terei que ter mais compromisso ainda, por que assim como uma palavra pode fortalecer milhões de vozes, uma outra palavra pode te reduzir a rimas. Depois de quase 12 anos de trabalho eu tenho visto meu povo com a auto estima acima do comum, as pessoas começando a valorizar mais a sua terra e suas origens. A maior alegria que tenho hoje é de está servindo de inspiração e espelho pra muita gente, o negócio está tão pai d’égua cabra, que inté quem num é nordestino tá querendo ser também (risos)

VDRN: Após o lançamento da “fita embolada do engenho”, rapadura já tem algum outro projeto que possa ser adiantado?

RAPadura: Eita, que arrente vai arroxar visse?
Para o ano que vem estou trabalhando no meu primeiro álbum (obra rural criação) que será a realização de um trabalho de quase 12 anos. Será um trabalho com um teor poético muito intenso e com uma versatilidade jamais vista. O que posso falar deste trabalho é que será a obra da minha vida, então aguardem uma obra cultural, artística e social inovadora, consistente e infinita.

VDRN: O que observamos hoje em dia são grupos sendo cópias de grupos. Na sua visão, qual o motivo de o rap está sempre vindo com as mesmas coisas? E para você, o rap está mesmo crescendo?

RAPadura: Isso acontece quando não temos identidade própria, quando não sabemos o que queremos pras nossas vidas, quando não temos um rumo a seguir e então ficamos batendo cabeça sem sair do labirinto interior que nós mesmo criamos. Muita gente ver alguém se dando bem em algo e tenta fazer do mesmo jeito mais isso nunca será possível, o criador jamais será superado pela criação, por que quem cria desenha ao natural e quem copia apenas amplia esse desenho que já tem o seu autor. Eu diria que a uns 5 ou 6 anos atrás o rap era mais sincero e politizado, era muito difícil você ver alguém falando besteira nas letras, cada um tinha seu estilo e o seu jeito de fazer rap, eu lembro que as letras falavam de problemas sociais, melhoria pra sua comunidade, lutar pelos direitos do povo, hoje em dia ficou muito banal e fácil fazer rap, hoje se tem estúdio barato, se tem mais eventos e mais portas de divulgação, isso tudo é muito bom pra quem trabalha com seriedade, mais por um outro lado fez muita gente se acomodar e fazer de qualquer jeito, as pessoas já não dão o valor devido a esta linda cultura que é o hip hop. O rap cresceu sim, mais em quantidade, a qualidade ainda está em falta diante do que poderíamos oferecer a quem nos ouve.


VDRN: E pegando o gancho da pergunta acima, o rap ainda sofre outro problema que é de pessoas de outros estados/regiões que se entregarem as gírias e costumes de outros estados só para ser mais “reconhecido” no rap nacional, como você enxerga isso?

RAPadura: Tem sido muito preocupante isso que está acontecendo, é uma das grandes causas da nossa falta de conhecimento e falta de aproximação de uns estados com os outros. Se cada estado tivesse um grupo de rap com a sua cara e sua essência nós aprenderíamos muito e ensinaríamos muito uns com os outros, isso não acontecendo, o crescimento e o domínio das grandes metrópoles tem aumentado sobre os outros estados e interiores brasileiros. Imagina você viajar pro ceará e conhecer grupos que fazem rap com forró, você viajar pra goiânia e ver gente fazendo rap com catira, indo para Pernambuco e vendo mc’s fazendo rap com maracatu, ir pra Brasília e ver as pessoas cantando o cerrado e a sua faúna, indo pro mato grosso e ouvindo grupos falarem sobre o pantanal e suas riquezas, indo inté ao Amapá e vendo grupos fazendo rap com o mara-baixo,
isso é lindo demais cabra, é o que espero ver antes de morrer, é pelo que luto também , quero através da musica que faço acordar as pessoas pra isso, isso acontecendo não deveremos pra seu ninguém, não existirá mais monopólio nenhum e então poderemos gritar ao mundo inteiro que fazemos rap nacional, que fazemos o rap mais enraizado do planeta.

VDRN: Você é um cara que sempre frisou em suas letras um amor a cultura hip hop e um amor a cultura nordestina. O que você acha de pessoas que estão no rap apenas com o intuito de ganhar dinheiro? O chamado “rap comercial”?

RAPadura: Olha home, pra estar dentro disso primeiro tem que haver um chamado, algo que te toma por dentro e te faz realizar coisas que você nem sabia que podia fazer, é algo que brota em cada um, num é algo que você diga que vai fazer e faz, é algo mais forte que te toma e te capacita a fazer algo que você nunca viu em vida. Se você faz algo forçado direcionado a certo tipo de gente ou certo tipo de coisa tenha um mínimo de coerência de não chamar isso de música, música é algo que nasce espontaneamente, é algo que vem conforme o que você sente, não tem como você inventar um sentimento e cantar ele, sua alma só expressa aquilo que ela sente, você pode jogar palavras vazias ao vento,isso é uma coisa, agora exalar musica é outra coisa. O que podemos ver no cenário de hoje é todo mundo fazendo a mesma coisa, por quê? Por que ninguém quer expressar o que sente de verdade, sempre querem alguém pra copiar e tentar fazer igual e nunca vão poder por que cada um tem o seu lugar no espaço. O dinheiro pode comprar muita coisa, menos a dignidade, a sinceridade e a felicidade de um ser. Se o que faz é apenas para servir um comércio então estará vendendo a sua alma, por que sua poesia é a expressão do seu ser, e quando vende a expressão do seu ser está vendendo a sua alma.


VDRN: “...Arrogância de quem não merece o carinho do povo...” (a quem possa interessar). Você acha que esse é um dos problemas que o rap enfrenta? Pessoas que ao conseguir determinada “fama” começar a agir de forma diferente?

RAPadura: Quando você se coloca maior que o seu público você acaba calando sua própria voz, por que um artista sem povo não é nada, é como se fossemos o corpo e o povo a alma, juntos somos algo grande e sólido, separados somos estranhos e pequenos, somos vazios. Devemos utilizar deste dom construído com trabalho da melhor forma possível, se eu tivesse que falar só de mim e cantar só pra mim pra quê gravaria um disco então? Pra quê mostraria isso pra alguém? Se quero falar só da minha pessoa e cantar só pra mim, melhor gravar e ficar ouvindo em casa inté a velhice, inté chegar a morte. Mais se quero ser mais humano devo compartilhar de experiências com meus próximos, aprender e ensinar, somar e dividir, é matemática de vida, arrente tem que ser o povo e o povo tem que ser arrente.

VDRN: sabemos que a sua música tem influência do mpb, bossa nova, funk, soul, entre outros. Diga quais são os álbuns indispensáveis que nunca enjoa de ouvir?

RAPadura: Eita meu fi, são tantos visse? Prepare os lombo por que vou pegar pesado, seguraiiiiiiiii!

Heleno ramalho-canção rural
Banda de pau e corda-vivência
Quinteto Armorial - do romance ao galope
Lia de Itamaracá - sou lia
Moacyr franco-nosso primeiro amor
Jackson do pandeiro- tem jabaculê
Luiz Gonzaga - sertão
Mestre ambrosio - mestre ambrosio
siba-siba e fuloresta
Marines - nordeste valente

VDRN: Você é um cara que não expressa em suas letras questões como violência, crime, drogas... Mas mesmo assim consegue fazer um som bastante informativo referente a outras questões, como cultura, como preconceito com o povo nordestino e etc. Qual a realidade que vive o Rapadura? Qual a realidade que vive o povo nordestino?

RAPadura: Esse cearense que chamam de rapadura vive pela crença no que faz, tem alegria por que tem vida e tem vida por que luta. O que se mais ver é uns cabra com a cara feia, dizendo que é ladrão, que é isso e que é aquilo e dizendo que é do rap. (risos). Pra ser do rap tem que ter a cara feia é? Tem que ter ladrão? Nunca vi isso em canto nenhum! Eu sou um cabra povão mesmo, estou sempre compartilhando sorriso com as pessoas, tenho problemas e dificuldades como todo mundo tem, mais isso não me impede de sorrir e nem de cantar coisas boas nas minhas letras. Pra falar coisa ruim já tem muita gente, então me deixem falar das coisas boas, vamos equilibrar esta balança por que o povo brasileiro tem muita coisa boa também, ao invés de mostrarmos apenas o lado negativo por que não mostrarmos o que esse povo tem de bom também? Vamos valorizar mais a nossa gente.
O povo nordestino é o povo mais alegre e simpático que conheço, é um povo que trabalha o dobro, que vive nas piores condições possíveis mais que nunca desiste e nem deixa de estender a mão a quem quer que seja.é um povo que dar a sua cama pra um estranho e dorme no chão. Tem uma criatividade tremenda para sobreviver, e vive a vida como se fosse sua arte. Povo pobre financeiramente, mass muito rico em espírito.

VDRN: Espaço totalmente aberto. Fique a vontade

RAPadura: Eita coisa boa cabraaaaaa!

Gostaria de agradecer a toda vanguarda do rap nacional e seus companheiros empenhados em divulgar o verdadeiro rap nacional, e por me dar a oportunidade de me aproximar ainda mais de todo esse povo brasileiro, não consigo ver o artista longe de sua gente, é necessário estarmos mais perto sempre. Além da musica existe um ser humano, alguém igual a todo mundo com uma vontade incessante de ver esta cultura ainda mais forte. Além de adeptos existem pessoas que lutam para manter esta cultura viva, então que nos respeitemos como seres humanos que somos, e que encaremos isso com um compromisso sério. Gostaria de agradecer a todos os estados que tem me apoiado nesta luta sem descanso principalmente os conterrâneos e companheiros do norte nordeste, vamos com força meus irmãos e irmãs, pois somos muito mais do que pensam de nós.
Quando a celebração acaba, desço do palco mais uma vez, bato de frente com a vida e é nela que a minha história esta sendo escrita.
Pé no chão e vamo simbora! Oxeeeeeeeee!

Oxente é arrente!

Atenciosamente, Rapadura xique chico

mais doce que o doce de batata doce, mais duro que carne de jegue!

Inté!

8 de nov. de 2009

MC Clayton - A chama não se apagou

Salve familia!


Hoje vou mostrar pra vocês um som muito bom do MC Clayton. São poucos que conhecem, mas o talento dele é imenso, é só uma questão de tempo para ele está no "auge" do RAP NACIONAL.
Um Rap com qualidade, um Rap com amor. MC Clayton é do DF e faz parte do ARt'vistas.
Vale a pena conferir o som, que está muito bom.

"Isso aqui não é brincadeira, isso aqui é essência..."


Para baixar o som, CLIQUE AQUI

E dia 11, mais um presente da Vanguarda para vocês. Inédito, exclusivo...Aguardem.

7 de nov. de 2009

"Malcolm X"


Salve familia!


Hoje vamos mudar um pouco o foco, mas por uma causa bastante interessante.

Neste Sábado (07) a Band estará exibindo um filme bastante interessante que conta a vida de um dos mais "polêmicos" líderes negros. (Para não apagar a postagem e também jogar por alto os videos postado sobre esse líder negro, retificaremos nesse mesmo post. A informação pelo site (Próprio site da BAND) é que o filme de hoje seria sobre Malcolm, mas o que observamos foi a "escolha" de um outro filme, então, a Vanguarda se desculpa. Mas a postagem continua, sobre esse brilhante líder.)

O filme será exibido ás 22h. O Cine Clube da Band exibe o clássico hollywoodiano “Malcolm X”. Dirigido pelo consagrado Spike Lee e estrelado pelo ator Denzel Washington, o longa recebeu duas indicações para o Oscar, entre elas a de melhor ator para Denzel, e ainda venceu o prêmio “Urso de Prata” no Festival de Cinema de Berlim. Fonte: Era no site da Band, mas foi apagado por eles mesmo. Mas a postagem idêntica a deles, CLIQUE AQUI


Para não passar em branco e ficar apenas a postagem sobre o filme, vou aproveitar para colocar um pequeno conteúdo sobre a vida do Malcolm Little, mais conhecido como Malcolm X.


Malcolm Little passou para a história como um dos grandes líderes dos negros norte-americanos com o nome de Malcolm X. Sua infância e adolescência foram marcadas pela violência característica dos guetos pobres norte-americanos. Quando tinha apenas seis anos e brincava pelas ruas de Omaha, o seu pai, Earl Little, foi assassinado.Após sofrer brutal espancamento, Earl teve o seu corpo atirado em uma linha de trem. A mãe de Malcolm, por sua vez, estava em tratamento num hospital psiquiátrico, de modo que ele e seus sete irmãos foram parar em orfanatos. Pouco tempo mais tarde, com uma irmã mais velha, foi morar em Boston. Depois, mudou-se para o Harlem, bairro de maioria negra em Nova York.Na adolescência, Malcolm trabalhou como engraxate. Escapou do serviço militar fingindo-se de "louco". Na mesma época, começou a praticar pequenos furtos no Harlem e envolveu-se com o tráfico de maconha. Com mais três amigos, todos muito pobres, passou a assaltar residências, até que acabou sendo preso, em 1946.Na prisão ocorreu a grande transformação na vida de Malcolm X. Passou a estudar o islamismo, convertendo-se aos ensinamentos de Elijah Muhammed, líder da "Nação do Islã", organização que congregava os negros muçulmanos dos Estados Unidos. Ao sair da cadeia, em 1952, Malcolm X transformou-se em um dos mais carismáticos líderes negros de seu país.Enquanto Martin Luther King apostava na resistência pacífica como arma para enfrentar o racismo e a segregação, Malcolm X defendia a separação das raças, a independência econômica e a criação de um Estado autônomo para os negros. Ao lado de Elijah Muhammed, viajou pelos principais Estados norte-americanos para pregar as suas idéias e defender a libertação dos negros.O projeto não foi à frente, mas deu ainda mais fama ao ativista. Em 1964, já casado, fundou a organização "Muslim Mosque Inc." e, mais tarde, a "Afro-American Unity". Um ano antes, após uma viagem para Meca, cidade sagrada dos muçulmanos, mudou o seu nome para Al Hajj Malik Al-Habazz. A partir daí, passou a defender uma posição conciliatória em relação aos brancos, fato que o deixou isolado, sobretudo quanto ao islamismo afro-americano.No dia 21 de fevereiro de 1965, quando discursava no Harlem, Malcolm X foi assassinado com 13 tiros, ao lado de sua mulher Betty, que estava grávida, e de suas quatro filhas. A polícia não encontrou provas, mas suspeitou da participação da "Nação do Islã" no crime.As idéias de Malcolm X foram muito divulgadas principalmente nos anos 70, por movimentos negros como o "Black Power" e "Panteras Negras". A vida do ativista norte-americano também se transformou em documentários e filmes, sendo "Malcolm X", dirigido por Spike Lee, em 1992, o mais famoso.




E segue também dois videos de um discurso (Legendado) do Malcolm X.


Por qualquer meio necessário. Part:1



Por qualquer meio necessário Part:2



Não deixem de acompanhar o filme hoje, ás 22h na Band e conhecer mais um pouco sobre esse brilhante líder negro, Malcolm X.

6 de nov. de 2009

Dia 11, dia D.



Salve familia!


Hoje começa a contagem regressiva para o 1º ano da Vanguarda do RAP NACIONAL – VdRN (Blog fará 10 meses) e nada melhor que falarmos um pouco sobre essa criação e essa trajetória que estamos e pretendemos traçar com muito respeito e amor a nossa cultura. Então, segue aí um “release” para quem nos acompanha e para quem não conheceu como tudo começou.
A Vanguarda do Rap Nacional foi criada em 11 de novembro de 2008. Tínhamos apenas a vontade de reunirmos manos, minas/seguidores do Rap Nacional (enfim) que estivessem dispostos a realmente debater, lutar para com tudo que envolva a nossa existência. Educação, política, religião, drogas, crimes, musica, Hip Hop...Tudo mesmo. Sabemos que a internet era/é um ótimo meio de aprendizado, e é isso que fazemos dela, criamos uma família que respeita a opinião de terceiros, que mostra um outro lado da moeda, o aprendizado só existe quando se é contestado. Então, criamos a comunidade “Vanguarda” para reunirmos esse tipo de seguidor, esse tipo de ser humano. E a vanguarda está aberta para qualquer um que queira ensinar, aprender, debater, discutir...Mas o que nós prezamos é o respeito para com qualquer trabalho, para com qualquer pessoa, isso é ser um "Vanguarda".
Vanguarda significa estar á frente, e é isso que somos, estamos à frente dos que pensam que o rap tem que está estacionado em um lugar vago no meio do nada. Não nascemos para andar em círculo, é isso que muitos têm que entender.
De uma comunidade onde queríamos que tivesse apenas 30, 40 membros, passamos dos MIL MEMBROS. (Nunca lutamos por quantidade, lutamos por qualidade) e tudo foi tomando proporções grandes. Aí veio a idéia do BLOG com o intuito de ajudar grupos que estejam começando, grupos que tem talento mas nem sempre tem uma oportunidade de mostrar seu trabalho, obtendo também entrevistas, informações, poesias e etc. (Mais recentemente a parte de livros)
E como sabemos que só a teoria não muda o mundo, digamos que seja um paliativo, mas não é só de teoria que vamos conquistar o que queremos. Diante disso criamos o PROJETO AMIGOS DA NET, um projeto social que visa ajudar entidades necessitadas (www.projetoamigosdanet.blogspot.com).
Foi tudo rápido, mas sempre com compromisso e com uma ajuda de uns parceiros na qual fazemos questão de mencionar que foi o do BAGDA RAP e o do blog MUNDO DO RAP, depois foram chegando mais parceiros (Outro mundo, Rap Da Hora, Rap Boom, Mente Consciente, Rap Baiano...) e hoje estamos com mais um parceiro de militância andando lado a lado com nós que é o ESCRITA HIP HOP.
Enfim, com a ajuda do BAGDA veio a primeira idéia da criação da mixtape, conseguimos fazer tudo rápido e alcançar uma proporção que não esperávamos alcançar (Mas podem esperar a próxima mais forte). Reunimos grupos de vários estilos para que mesclasse o gosto de vários seguidores do Rap Nacional, e conseguimos. (Claro que por ser uma mixtape de vários estilos, é difícil dizer que tenham gostado dela por completo, mas apartir do momento que se gosta de duas músicas, aquilo que destinamos ao seu gosto, foi conseguido) E hoje estamos aí pensando em vários outros projetos, tentando sempre fazer o melhor para quem nos acompanha e para quem ama essa cultura.
E é isso, independente de quantos estejam com nós, se são 10, se são 1000...Nosso respeito e admiração por cada um de vocês é igual, fazendo de nós a família VANGUARDA DO RAP NACIONAL.
E agradecer também aos grupos de RAP que vem nos dando uma força incrível, e podem apostar que a Vanguarda estará com vocês, sempre. (Não vamos citar nomes, por que são muitos e não podemos esquecer de nenhum)
Parabéns para vocês que nos acompanham, nos respeitam ...É por vocês.
E DIA 11, cada um de nós (Inclui cada pessoa que baixou a mix, que olha o blog, que aparece na comunidade, que diretamente ou não nos acompanha) acompanharemos UM ANO DESSA NOSSA EXISTÊNCIA, e podem aguardar...MUITA COISA AINDA VAI SER FEITA.

E já posso adiantar para vocês, dia 11 (Quarta Feira) no dia do aniversário da Vanguarda já estaremos com uma surpresa pra vocês que posso afirmar que todos vão curtir. Podem aguardar, dia 11 uma novidade pra vocês.

PAZ!



"ENQUANTO MUITOS ESTÃO PARANDO, NÓS ESTAMOS AVANÇANDO"

4 de nov. de 2009

Os bonecos de barro - Clarice Lispector


"...Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento."

Salve familia

Com muito prazer venho lhes apresentar (ou reapresentar rs) Clarice Lispector, assim como toda sua sutileza, sensibilidade e profundidade.Falarei um pouco mais sobre esta personalidade da nossa literatura mais a frente.
Procurando alguns textos interessantes para postar aqui achei esse dela. Bem interessante.
Espero que gostem .



OS BONECOS DE BARRO

Por CLARICE LISPECTOR

O que ela amava acima de tudo era fazer bonecos de barro — o que ninguém lhe ensinara. — Trabalhava numa pequena calçada de cimento em sombra, junto à última janela do porão. Quando queria com muita força ia pela estrada até ao rio. Numa de suas margens, escalável embora escorregadia, achava-se o melhor barro que alguém poderia desejar: branco, maleável, pastoso: frio. Só em pegá-lo, em sentir sua frescura delicada, alegrezinha e cega, aqueles pedaços timidamente vivos, o coração da pessoa se enternecia úmido quase ridículo. Virgínia cavava com os dedos aquela terra pálida e lavada — na lata presa à cintura iam se reunindo os trechos amorfos. O rio em pequenos gestos molhava-lhe os pés descalços e ela mexia os dedos úmidos com excitação e clareza. As mãos livres, ela então cuidadosamente galgava a margem até a extensão plana . No pequeno pátio de cimento depunha a sua riqueza. Misturava o barro à água, as pálpebras frementes de atenção — concentrada, o corpo à escuta, ela podia obter uma porção exata de barro e de água numa sabedoria que nascia naquele mesmo instante, fresca e progressivamente criada. Conseguia uma matéria clara. e tenra de onde se poderia modelar um mundo.
Como, como explicar o milagre... Ela se amedrontava pensativa. Nada dizia, não se movia, mas interiormente sem nenhuma palavra repetia: Eu não sou nada, não tenho orgulho, tudo me pode acontecer; se quiser, me impedirá de fazer a massa de barro; se quiser, pode me pisar, me estragar tudo; eu sei que não sou nada. Era menos que uma visão, era uma sensação no corpo, um pensamento assustado sobre o que lhe permita conseguir tanto barro e água e diante de quem ela devia humilhar-se com seriedade . Ela lhe agradecia com uma alegria difícil, frágil e tensa; sentia em alguma coisa como o que não se vê de olhos fechados. Mas o que não se vê de olhos fechados tem uma existência e uma força, como o escuro, como a ausência — compreendia-se ela, assentindo feroz e muda com a cabeça. Mas nada sabia de si, passaria inocente e distraída pela sua realidade sem reconhecê-la; como uma criança, como uma pessoa.

Depois de obtida a matéria, numa queda de cansaço ela poderia perder a vontade de fazer bonecos. Então ia vivendo para a frente como uma menina.

Um dia, porém, sentia seu corpo aberto e fino, e no fundo uma serenidade que não se podia conter, ora se desconhecendo, ora respirando trêmula de alegria, as coisas incompletas. Ela mesma insone como luz — esgazeada, fugaz, vazia, mas no íntimo um ardor que era vontade de guiar-se a uma só coisa, um interesse que fazia o coração acelerar-se sem ritmo... de súbito, como era vago viver. Tudo isso também poderia passar, a noite caindo repentinamente, a escuridão fresca sobre o dia morno.

Mas às vezes ela se lembrava do barro molhado, corria alegre e assustada para o pátio: mergulhava os dedos naquela mistura fria, muda e constante como uma espera; amassava, amassava, aos poucas ia extraindo formas. Fazia crianças, cavalos, uma mãe com um filho, uma mãe sozinha, uma menina fazendo coisas de barro, um menino descansando, uma menina contente, uma menina vendo se ia chover, uma flor, um cometa de cauda salpicada de areia lavada e faiscante, uma flor murcha com sol por cima, o cemitério do Brejo Alto, uma moça olhando... Muito mais, muito mais. Pequenas formas que nada significavam, mas que eram na realidade misteriosas e calmas. Às vezes alta como uma árvore alta, mas não eram árvores, m:to eram nada...Ás vezes um pequeno objeto de forma quase estrelada, mas sério e cansado como uma pessoa. Um trabalho que jamais acabaria, isso era o que de mais bonito e atento ela já soubera. Pois se ela podia fazer o que existia e o que não existia!...

Depois de prontos, os bonecos eram colocados ao sol. Ninguém lhe ensinara, mas ela os depositava nas manchas de sol no chão, manchas sem vento nem ardor. O barro secava mansamente, conservava o tom claro, não enrugava, não rachava. mesmo quando seco parecia delicado, evanescente e úmido. E ela própria podia confundi-lo com o barro pastoso. As figurinhas assim, pareciam rápidas, quase como se fossem se desmanchar — e isso era como se elas fossem se movimentar. Olhava para o boneco imóvel e mudo. Por amor ou apenas prosseguindo o trabalho ela fechava os olhos e se concentrava numa força viva e luminosa, da qualidade do perigo e da esperança, numa força de sede que lhe percorria o corpo celeremente com um impulso que se destinava à figura. Quando, enfim, se abandonava, seu fresco e cansado bem-estar vinha de que ela podia enviar, embora não soubesse o que, talvez. Sim ela às vezes possuía um gosto dentro do corpo, um gosto alto e angustiante que tremia entre a força e o cansaço — era um pensamento como sons ouvidos, uma flor no coração: Antes que ele se dissolvesse, maciamente rápido, no seu ar interior, para sempre fugitivo, ela tocava com os dedos num objeto, entregando-o. E, quando queria dizer algo que vinha fino, obscuro e liso — e isso poderia ser perigoso — ela encostava um dedo apenas, um dedo pálido, polido e transparente, um dedo trêmulo de direção. No mais agudo e doído do seu sentimento ela pensava: Sou feliz. Na verdade, ela o era nesse instante, e se em vez de pensar: Sou feliz, procurava o futuro, era porque, obscuramente, escolhia um movimento para a frente que servisse de forma à sua sensação.

Assim juntara uma procissão de coisas miúdas. Quedavam-se quase despercebidas no seu quarto. Eram bonecos magrinhos e altos como ela mesma. Minuciosos, ligeiramente desproporcionados, alegres, um pouco perplexos — às vezes, subitamente, pareciam um homem coxo rindo. Mesmo suas figurinhas mais suaves tinham uma imobilidade atenta como a de um santo. E pareciam inclinar-se, para quem as olhava, também como os santos. Virgínia podia fitá-las uma manhã inteira, que seu amor e sua surpresa não diminuiriam.

— Bonito... bonito como uma coisinha molhada, dizia ela excedendo-se num ímpeto imperceptível e doce.

Ela observava: mesmo bem acabados, eles eram toscos como se pudessem ainda ser trabalhados. Mas vagamente, ela pensava que nem ela nem ninguém poderia tentar aperfeiçoá-los sem destruir sua linha de nascimento . Era como se eles só pudessem se aperfeiçoar por si mesmos, se isso fosse possível.

As dificuldades surgiam como uma vida que vai crescendo. Seus bonecos, pelo efeito do barro claro, eram pálidos. Se ela queria sombreá-los não o conseguia com o auxílio da cor, e por força dessa deficiência aprendeu a lhes dar sombra ainda por meio de forma. Depois inventou uma liberdade: com uma folhinha seca sob um fino traço de barro conseguia um vago colorido, triste assustada quase inteiramente morto. Misturando barro à terra, obtinha ainda outro material menos plástico, porém mais severo e solene. MAS COMO FAZER O CÉU? Nem começar podia! Não queria nuvens — o que poderia obter, pelo menos grosseiramente — mas o céu, o céu mesmo, com sua existência, cor solta, ausência de cor. Ela descobriu que precisava usar uma matéria mais leve que não pudesse sequer ser apalpada, sentida, talvez apenas vista, quem sabe! Compreendeu que isso ela conseguiria com tintas.

E às vezes numa queda, como se tudo se purificasse, ela se contentava em fazer uma superfície lisa, serena, unida, numa simplicidade fina e tranqüila.
--//--
O texto acima foi publicado na revista "Nordeste" (Ano XIII, nº 2, julho de 1960, Recife-PE) e consta do romance "O Lustre", publicado em 1946.

Fonte do texto: CLIQUE AQUI


“Sou o que se chama de pessoa impulsiva. Como descrever? Acho que assim: vem-me uma idéia ou um
sentimento e eu, em vez de refletir sobre o que me veio, ajo quase que imediatamente. O resultado tem sido meio a meio: às vezes acontece que agi sob uma intuição dessas que não falham, às vezes erro completamente, o que prova que não se tratava de intuição, mas de simples infantilidade.
Trata-se de saber se devo prosseguir nos meus impulsos. E até que ponto posso controlá-los. [...] Deverei continuar a acertar e a errar, aceitando os resultados resignadamente? Ou devo lutar e tornar-me uma pessoa mais adulta? E também tenho medo de tornar-me adulta demais: eu perderia um dos prazeres do que é um jogo infantil, do que tantas vezes é uma alegria pura. Vou pensar no assunto. E certamente o resultado ainda virá sob a forma de um impulso. Não sou madura bastante ainda. Ou nunca serei.”

Clarice Lispector


Por Mariani Rodrigues

Boa leitura!

3 de nov. de 2009

RAPadura - Maracatu de cá pra lá

Salve familia!

Na postagem anterior citei que o MC RAPadura em pouco tempo estaria lançando um video com a musica de trabalho da FITA EMBOLADA DO ENGENHO na qual chama-se "Maracatu de cá pra lá" e só ratifica o que estamos falando desde sempre sobre o mesmo, um MC original que consegue abordar vários temas diferentes e uma musicalidade única em cada um dos seus sons. Em primeira mão aí pra todos vocês...


RAPadura - Maracatu de cá pra lá



Logo menos esse som também estará disponivel para download. É só um pouco do que essa FITA tem para oferecer. E em breve, também será disponibilizado o som "Norte Nordeste nos veste" que posso afirmar para vocês que será um HINO para os nortistas e nordestinos, e também para todos que admirarem a cultura destes e a cultura do HIP HOP. São belos trabalhos, de quem tem talento e faz com amor. Parabéns, RAPadura.


FITA EMBOLADA DO ENGENHO!

1 de nov. de 2009

FITA EMBOLADA DO ENGENHO - RAPadura na boca do POVO!

Salve familia!

Faz alguns dias que estamos tocando nesse assunto sobre o mais novo trabalho do RAPadura. E venho trazer mais uma novidade para vocês, o lançamento do video de divulgação desse trabalho (O segundo) e em breve (Logo menos) estará sendo disponibilizado o terceiro video com a música de trabalho.
Esses videos só ratificam o que o RAPadura vem fazendo no cenário do Rap Nacional mostrando inovação e amor a ambas culturas. É disso que o RAP precisa.
O primeiro video é da musica "É doce mas num é mole" que conterá na FITA juntamente essa musica do segundo video, embolada.
É a prova que vamos encontrar uma diversidade e qualidade imensa que deverá ser lançado nesse mês. Vou até parar de falar e deixar o video falar por ele mesmo.

"...Somos originais e não fotocópias comerciais..." – RAPadura.

RAPadura - Fita embolada do Engenho (Embolada)



E para quem quiser conferir o primeiro video:

RAPadura - Fita embolada do Engenho ( É doce mas não é mole)



Um orgulho para o norte/nordeste, um orgulho para o RAP.

VALE A PENA CONFERIR!