17 de mai de 2011

Bem vindo ao espetáculo do circo dos horrores.

Parafraseando um dos grupos que mais admiro no cenário – Facção Central – eu começo minha sessão de colunista aqui na Vanguarda. E acredito que não agradará a muitos pseudos-revolucionários e aos que acreditam no mundo colorido do Rap. Vamos aos fatos...
Mas antes de começar, quem conhece um pouco da minha trajetória sabe do amor que tenho por essa cultura e sabe também que tive a minha fase de alienação para com o Rap. E é por esse motivo que venho falar algumas verdades vivenciadas dentro do movimento para fazer vocês entenderem mais um pouco dessa linda – suja- cultura Hip Hop.



Agora sim, vamos aos fatos...

Esqueçam os playboys, simples e direto, esqueçam os playboys. Nós perdemos muito tempo atacando outrem quando poderíamos estar ganhando tratando de nós. Não sei se vocês vão acreditar, mas tem alguns “verdadeiros do Rap” (Pelo menos, se acham...) que tem vergonha – isso mesmo – vergonha de mostrar que cresceu, ou de fazer uma faculdade de Direito ou qualquer que seja para não ser apontado como “playboy” e infelizmente o Rap tem sua parcela de culpa nisso. Enquanto eles – Os rappers – luxam tomando seu whisky e falando mal de playboy e batendo no peito em ser favelado, você que não tem o que comer pretende continuar assim. Não se prendam a esses conceitos medíocres de quem toca em determinado assunto para ganhar em cima de você, de nós. Devemos sim ser resistente e não perder a essência que nos fez amar essa cultura e que fez a mesma ser formada, porém, não vamos confundir. Estamos na era moderna, tudo muda, tudo vai sofrendo alteração e é aí que entra a nossa defesa pela resistência do Rap. Fazendo uma evolução e não mudança em seus valores. Podemos até mudar (Modernidade, lembra?), todavia não podemos deixar de ser aquilo que nos fez crescer, amar e defender esse brilhante (Na essência) estilo musical, estilo de luta e vida.
Posteriormente vem outras questões que envolvem esse underground mundo do Rap, a hipocrisia, falsidade e desunião são adjetivos chave para o mesmo. Um só caminho para muita gente trafegar. Pelo menos é assim que eles enxergam. A gente não, a gente sabe que tem espaço para todos, basta serem talentosos e terem compromisso que o público vai apoiar. Mas as cobras querem mais! E no final, as “presas” seremos nós. O Rap tem que ser retrato de seus seguidores, e se hoje ele tiver sendo, estamos na era de aquários, o Rap está desmoronando. Seguidores alienados, grupos falsos, pessoas cheio de interesses, querendo transformar o Rap em simples moeda. Calma, antes que os moralistas venham me atacar afirmando – Por que eles não perguntam, eles afirmam – “Você quer que o Rap seja amador? Que os caras não ganhem dinheiro com o seu trabalho? Isso não é ser favelado.” Pronto, sou um Judas. Muito pelo contrário, o Rap tem que ser profissional, os mc’s tem que ganhar dinheiro e muito mais. Todavia não podem mudar a base da construção, menos arquitetos, mais pedreiros. Você entrar no movimento com o pensamento “Vou falar disso que eles gostam e vou ganhar dinheirão” é fazer a gente de trouxa. E isso independe do assunto, por que tem muitos que falam de crime apenas para ganhar e não para informar, educar, ajudar quem está seguindo. “Ficha limpa, jogo sujo”.
Portanto, sejamos mais categóricos na aceitação, na postura e sejamos críticos e rudes com aqueles que não fazem seu devido papel, isso sim é ser resistente. A revolução, só vem com a evolução.
Com tudo, temos que nos retratar, e deixar de pensamento mesquinho para o Rap. Murro em ponta de faca é truque, e nós queremos nada mais que verdades. Erga a cabeça, é lá que o Rap tem que está para mostrar o seu valor. E os mc’s falsos também dependem de nós. Portanto, mente afiada e peito blindado, nosso inimigo está dentro do movimento e não somente fora dele. Peço sim desculpas àqueles que não vão gostar, aceitar. Mas é necessário.

Mesmo assim... Eu amo isso aqui.

                                                                                                                                         
                                                                                                      PATRICK SAGAT