22 de jun de 2009

Ritmo e Poesia - Face Da Morte



Uma das poesias do nosso Rap que mais expressam tudo que passamos, sofremos e queremos...Mais uma letra genial.
Um sentimento individual que representa uma nação de sofredores, mas que luta por um mundo mais sábio, sem tantos horrores.

Ritmo & Poesia - Face Da Morte

Eu, aliado G, nesse momento tento escrever
Me pergunto sobre o que não posso me responder
O que eu queria? Mais poesia na periferia
Noite fria, madrugada sombria
Ouço um grilo que canta
Ouço um tiro que não me espanta

Ao fundo ouço um samba
Que vem lá de perto da pista
Você não sabe, eu to na 10 da Santa Rita
Hortolândia é o lugar
Que eu aprendi a amar desde criança
A maioria me apóia
Mas também tem as jibóias
Querendo me derrubar
Deixa pra lá, é por eles que eu devo rezar


É preciso que aja um pouco de amor em tudo isso
Chega de pensamentos decadentes
Ausentes de conteúdo
Contudo, quem tem dinheiro não é mais nem menos homem
Ninguém vira lobisomem porque comprou um oitão

Então respeito é coisa que nasce no peito
Não se compra na esquina como um papel de cocaína
A minha ira é com a inveja
Gente que conversa demais e pouco faz
Te cumprimenta na frente
Te apunha-la por trás

Versos sangrentos violentos
Frutos do pensamento rebelde
Gente que bebe, fuma, cheira, toma back
Alguns se acabam no crack
Não tem acesso ao debate

Não participam do orçamento
Crianças dormem ao relento

Há muito tempo eu tento entender
Certas redes de tv
Que iludem minha gente
Destroem e constroem presidentes

Espalham terror medo e fome
Matam nossa esperanças
Depois fazem campanhas
Onde a "criança é esperança"

É preciso que aja sonhos
Temperados de ilusão
Pois sonhos sem ilusão morrem na solidão
Solidão que oprime, solidão que esmaga
Que sufoca, quem suporta?
Nos sonhos de criança
Tudo é só felicidade
Mas criança um dia cresce
Vira homem, faz maldade

É preciso ensinar nossas crianças
Futuro e esperança que morrem e nascem
Todo dia na nossa periferia
Esquecer a tela fria, juntar as garrafas vazias
É preciso mais piedade
Compreender a utilidade do tempo
Futilidade do desamor de sabor
E havendo revolução que isso seja uma ilha distante
Que de barco não se alcance

Quando não houver mais paciência, decência
Uma garrafa de angustia, mereça
Pois não há vida sem uma resma de tristeza
Ponha num canto vazio se tiver utilidade
Poluições do passado reflexo da idade
Felicidade se busca
O sistema ofusca nosso brilho natural
Esqueça o mal que o coração faz ao corpo desgosto
Palavras que alteram o destino
O sofrimento do nordestino

Com a porta aberta um alerta
É preciso que se conheça a origem dos ventos
Reconhecer e revelar talentos

O avesso da vida onde a escuridão apita
Saltar o abismo do cinismo
Diferenciar o bonito do feio, o amor alheio
O espírito que está em nosso meio
Do Deus vivo invisível, incrível
Porque existe uma mãe que chora
O seu filho bandido, banido, perdido


Um brasileiro sem nome que luta contra a fome
Tenta realizar sua revolução particular

Sozinho? pedras no caminho
Guiado pela maldade saudade
Cemitério, grade
Talvez falte uma lágrima a enxugar
Um sorriso para olhar, um amor pra amar
Uma flor no quintal do vizinho
Um pássaro que constrói seu ninho
Porque a vida se faz de momentos, paz aos detentos
Aos que vivem no esquecimento, sofrimento
Aos que tiram da terra o sustento
Que deus olhe por nós, libertem nossa voz

Quem me ouve jamais esquece
Soldado armado de raciocínio a favor do rap
Como se fosse um planta comigo ninguém pode
Aliado G mano L, viola, face da morte
Lutando dia a dia pra que um dia
Exista na periferia
Menos violência e mais poesia


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