28 de dez de 2011

Nevará outra vez?

Curitiba, 1975.


Todo final de ano é a mesma palhaçada. Calma, na verdade amo os finais de ano, tanto o Natal em sua totalidade, quanto o ano novo. Não vejo problemas se determinada pessoa gosta de escolher cuidadosamente sua comida e seu vestuário, pessoalmente, não me importo muito (Afinal lentilha é meio dose quando se pode comer isso aqui, certo compadre?). Mas falo daquela palhaçada de sempre, que te faz pensar 5 ou mesmo 10 vezes, antes de cogitar passar o ano novo reunido com parentes distantes, na casa daquela tia, cujo único atrativo local será uma TV Aberta ligada no último volume. Além das lentilhas, claro. Enfim, o fato é que este tipo de palhaçada, por ser musical, ativa partes inóspidas deste singelo cérebro, através das consequências do raciocínio. Quando falam de música tanto comigo, quanto com você amigo leitor, falam de coisas que nos induzem a pensar no Rap. Afinal, somos crias do gênero e cá estamos, terminando mais um ano.

Sempre fui um tanto filho do inverno. Não apenas por gostar do frio e dos eternos dias cinzentos, que deixam a fotografia do ambiente com um quê muito mais rueiro ao passo em que o asfalto molhado das ruas te diz pra você tomar um Tubão, mas também pelo fato do inverno ser oposição de algumas (sic) coisas, cujas definições você pode encontrá-las em... Yep. Yep. Yep. É muito gratificante poder ser o vilão extremo destes tipos de situações, ainda que claro, isto seja só um texto a ser publicado em um portal cuja finalidade é o Rap Nacional.

O que acontece, é que acredito em determinados Valores o qual minha alma - Ou meu ser, que o seja - credencia como Eternos (Não, não sou "U.Sur", apenas gostei do banner). Entre estes valores, um dos grandes símbolos da cidade d'onde vos escrevo é justamente o inverno, com toda sua soberania, com toda a sua alta frequência, sempre corrente com o passar dos dias e meses, tendo atingido o seu ápice em 1975, diante da neve local que não mais se repetiu. Ao ser uma constante, o inverno tornou-se um símbolo de preferência pessoal e de referência vital (Bagagem cultural?), sempre induzindo as memórias à um lado bem afetivo. O mesmo ocorre com o Rap, que em sua magnitude, consegue induzir as nossas lembranças às coisas boas, aos amigos de longa data, aos que estão lado a lado, na boa e na ruim. E que também teve lá seu ápice, em meados da década de 90.

Contudo, você leitor já deve estar até cansado de tantas e tantas críticas com o Rap. Não duvidaria de tal fato. Estamos na internet, e claro, todos possuem um direito a uma opinião, mesmo que não concordemos e mesmo que algumas opiniões possam ser ofensivas. Se existe voz, palavras serão ditas; e se existe papel, palavras poderão ser escritas. Naturalmente que a expansão da internet acelerou as inter-relações, e logo, críticas à determinados emcees brasileiros que tiveram uma rápida ascenção, mesmo sendo até pessoas bem humildes, gente fina; acabou se concretizando por entre as redes sociais. Ainda assim, apesar das críticas, há de se convir que falta um algo à mais, não?

Bueno
...

Ao passo em que os anos correm, tudo muda ao nosso redor. Por uma infelicidade, ou não, as alterações chegam. Com elas, mudanças pesadas na ambientação, na vida, na fotografia, e claro, na música. Às vezes me pergunto quando foi que saímos daqui em direção a este ponto geográfico. Óbvio que as respostas surgem apenas com uma análise mais ampla, que foca com precisão em diversos aspectos da recente história do Rap dos últimos 20 anos. Contudo, mais do que respostas, o que se espera diante de uma pergunta que cerque os "porquês do Rap ter caído tanto de qualidade" é justamente a esperança de que tudo volte a ser o que um dia já fomos. Sim. Todos nós.

Com a chegada de 2012, aquela palhaçada inicial do tópico sempre desperta este tipo de pergunta ao meu espírito. Provavelmente ao seu também. Se podemos ter esperanças de que a velha sonoridade rueira, dos graves em alta intensidade, das batidas espancando as caixas de som, e dos realismos intensos, volte a ser nosso cotidiano presente, ao invés de memorial do passado.

Em suma...

Se nevará outra vez?







General VII é escritor, formado em Comunicação Social. Torcedor assíduo do Paraná Clube, borracho e hooligan nas horas vagas, é contra o Futebol Moderno e contra as modernidades em sí.